Na última entrevista coletiva realizada na Granja Comary, os escolhidos para falar foram Everton Ribeiro, recém chegado dos Emirados Árabes, e Thiago Silva, capitão da Seleção Brasileira na última Copa do Mundo e reserva no comando de Dunga. O primeiro falou, entre outros, sobre a disputa pela vaga de Oscar, que não foi convocado graças a uma lesão. Já o segundo comentou sobre a Copa do Mundo e fugiu da resposta padrão sobre o escândalo na Fifa e na CBF.

Everton Ribeiro começou falando. O meia do Al-Ahli chegou ontem a Teresópolis e afirmou que se sente bem e pronto para começar a treinar com o resto do grupo. Ele disputou e perdeu a final da Copa do Presidente, nos Emirados Árabes, na quarta-feira e por isso se apresentou depois: “É um prazer estar novamente na seleção,” disse.

A disputa pela vaga de Oscar no time titular é grande. Além de Everton, Philippe Coutinho e Douglas Costa ainda podem ocupar essa posição. Dunga ainda não deu pistas do meio e a expectativa é que haja alguma dica no treino dessa tarde: “Estou aqui para ajudar, se for titular, melhor ainda,” comentou.

Sobre a Copa América, o ex-jogador do Cruzeiro reconheceu que é uma competição importante, principalmente para ajudar na recuperação da imagem, que começou desde a primeira convocação: “Nosso papel é estar em campo e representar o futebol brasileiro, um futebol vencedor,” falou. Um assunto abordado também foi o clima, já que nos Emirados Árabes estava calor, ele afirmou que vai passar frio, mas voltará ao normal.

Quando escolheu trocar o Brasil pela China, Everton Ribeiro foi criticado e ficou a dúvida se ele não estaria arriscando suas chances na Seleção. O técnico Dunga disse ao jogador que ele será mais cobrado por estar lá, mas ele afirmou que está confiante. Recentemente, o meia foi especulado no Flamengo, mas desconversou “não estou insatisfeito. Fui bem recebido lá, são muitas especulações.”

Quanto aos assuntos extracampo, o jogador fugiu, assim como seus companheiros: “Estou focado na Copa América, não vou pensar em outros temas agora.” Já sobre o amigo Robinho, Everton torce por sua recuperação e admitiu que o atacante sente dores no joelho.

Thiago Silva surpreendeu ao quebrar um pouco as respostas padrão dadas pelos outros convocados que passaram pela coletiva, mas também não se comprometeu: “Para o futebol é uma situação terrível. Gostamos de um futebol limpo. Nenhum jogador é tolo para não entender o que está acontecendo no país. Hoje, vestindo essa camisa, não podemos ir contra a CBF.”

Ele ainda comentou e apoiou a candidatura de Zico à presidência da Fifa, afirmando que o Galinho é respeitado, tem experiência e ainda trata bem as pessoas, “se for, fará bem ao futebol.”

Thiago deixou claro que apoia uma mudança no futebol “podemos sim fazer um futebol melhor, inclusive o feminino,” mas não foi muito fundo “o que dissermos não muda nada. No final, eles que decidem, para nós é difícil tomar uma posição aqui.”

O ex-presidente Marco Polo Del Nero visitou a Granja ontem e, segundo o jogador do Paris Saint-Germain, incentivou o grupo: “Foram palavras de motivação, desejou uma grande Copa América.”

Depois de ser capitão, Thiago foi para o banco quando Dunga chegou, mas ele garante que não incomoda. “É diferente. Acho que minha lesão me atrapalhou.” Apesar da nova condição, o zagueiro elogiou o treinador, disse que é um cara durão, mas sabe brincar na hora certa: “É bastante direto. Não tem dois papos. Vai reto naquilo que quer. Trabalho é sério, estamos no caminho certo.”

Relembrar tudo que aconteceu no Mundial aqui no Brasil claramente ainda é difícil: “Ficamos devendo,” afirma, “machucou todo mundo, mesmo se ganharmos a Copa América, não apaga a Copa do Mundo.” A desconfiança do torcedor ainda é grande e Thiago sabe. “É difícil falar se a imagem vai mudar, a última Copa ficou muito marcada negativamente pro torcedor. A cobrança internamente foi grande também.”

Quanto ao favoritismo no Chile, ele colocou a seleção da casa como maior candidata ao título, mas Argentina, Colômbia e, claro, o Brasil também tem grandes chances de ganhar. Ainda relembrou a eliminação de 2011 nos pênaltis para o Paraguai, mas assegurou “vejo hoje a seleção um pouco melhor preparada tática e tecnicamente.”

Tenho o sonho de conquistar a Copa da Rússia, lugar onde passei o pior momento da minha vida. O que me move é a paixão pelo futebol, por essa camisa e por ter sonhos. Quando se perde isso, tem que parar.”