Poderia ser apenas uma enxurrada de referências e fan servie gratuito, mas com o Diretor Spielberg (Tubarão - 1975, E.T. - 1982 , Jurassic Park - 1993) vem o compromisso e uma homenagem à cultura que o próprio tanto ama e que de fato ajudou a criar ao longo de quase seis décadas. O fã e o leigo podem ficar assegurados, Jogador N°1 é entretenimento bem fundamentado, com relevância e competente em demasia na área técnica.
A história traça a jornada do devotado herói que além de se divertir no percurso desafiador de sua vida digital e parca vida no mundo real, vê em sua crença e esforço significados que vão além de meramente "zerar o jogo". Junto de amigos cujos princípios se embasam na fidelidade e perseverança de algo mais profundo no significado de criação do Oasis, plataforma de realidade virtual on line, eles galgam uma disputa pelo ambicioso negócio quando seu CEO bate as botas e oferece a gestão e posse para aquele que encontrar e desvendar suas profundas mensagens. Uma forma de provar o merecimento segundo o lado espirituoso de seu falecido criador.
O longa aborda o impacto do meio digital nas vidas dos usuários, seja para unir pessoas distantes, gerar amizades e recreação, como também deixá-las dependentes e enganadas quando usado excessivamente ou como fuga da vida real. A voracidade das megacorporações também é mostrada, colidindo com a "gente comum" que acredita no algo a mais proposto pelo jogo. Algo que vai além dos trilhões de "dinheiros" que ele é capaz de gerar. E de forma surpreendente, o filme entrega uma mensagem suscinta, bela e esperançosa sobre o convívio humano, missão cumprida e paz de espírito. Emocionalmente destoante, espiritualmente competente. Veja para saber e entender, não será revelada, obviamente.
Referências! Referências, saudosismo, carinho, comicidade, maneirísmos que acertam! Filmes, músicas, séries, animações, quadrinhos, literatura e claro, games! Algumas coisas acabam sendo narradas com certa expositividade, mas é compreensível uma vez que o filme não é apenas para deleite de quem viveu ou vive essa cultura oitentista e de décadas vizinhas. Certos momentos, personagens já icônicos fazem gestos e falas de qualquer outra franquia enquanto uma música boa demais toca na cena, seja como fundo, seja como elemento sentido pelos personagens. Ou seja, é uma tempestade de coisas legais. Um espetáculo visual, e para fãs, emociona ver mesmo que por segundos ou longas cenas de ação, símbolos nerds, ploc, pops com tanta vivacidade e tratados com tamanha importância e sentimento.
Jogador N°1 é uma homenagem bem sucedida, não chega a ser uma marco. Mas guarda em sua chamativa premissa profundidade de uma bonita "moral da história". Unindo tudo que possa ser datado com o futuro digital e social, entrega uma boa obra.
