O Oscar 2018 se aproxima e chegou a hora de fazer um balanço geral sobre os indicados a melhor filme da maior premiação do cinema. Neste ano, a academia indicou nove filmes, um a menos do que o máximo permitido e um a mais do que no ano passado.
A premiação ocorre no próximo Domingo, 4 de Março, e terá transmissão no Brasil pela TNT e Globo.
Três Anúncios Para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri)
Três Anúncios Para Um Crime se passa na pequena cidade de Ebbing, onde a protagonista Mildred resolve colocar três anúncios em uns outdoors na entrada da cidade, expondo o estupro e morte de sua filha e alegando a falta de incompetência das autoridades para achar o verdadeiro culpado. Esse ato acaba mexendo com os habitantes do local e a Mildred vai ter que lidar com as consequências que tudo isso vai trazer.
Escrito e dirigido por Martin McDonagh, O filme traz um excelente estudo de personagens com um elenco fortíssimo e um roteiro muito bem escrito e imprevisível. Ele aborda racismo, culpa, justiça, violência contra a mulher, vingança, e entre outros aspectos de forma orgânica, sem nunca fazer julgamentos. A sua temática forte, excelente execução e atuações primosas (principalmente da Francis McDormand e Sam Rockwell) o colocam em um patamar acima e como um dos favoritos ao Oscar de melhor filme.
A Forma da Água (The Shape of Water)
A Forma da Água nos traz uma fábula romântica bem fora do convencional. Elisa é uma zeladora muda que trabalha em um laboratório onde uma criatura aquática que havia sido capturada na Amazônia está mantida em cativeiro. Quando eles começam a criar certa relação, Elisa elabora um plano para conseguir fugir com a criatura e tirá-lo das mãos do governo e dar liberdade a ele.
Guillermo del Toro é um mestre em apresentar fábulas bem trabalhadas, e aqui temos uma delas, só que adulta. A sexualidade é algo muito explorado aqui pelo diretor, ele vai a todos os momentos te dando pistas para ir desvendando a protagonista, que é maravilhosamente bem interpretada pela Sally Hawkins, e a criatura, que conta com mais um esplêndido trabalho corporal do Doug Jones para dar vida a ela. Podemos classificar como o filme mais completo desse Oscar tecnicamente falando, suas 13 indicações não estão aí a toa. Visualmente o filme é lindo, desde suas cores até a sutileza da manipulação das câmeras, uma trilha sonora incrível, uma direção delicada e uma estória bem contada. Tudo isso o coloca no páreo e tudo indica que vai brigar com Três Anúncios Para um Crime pelo prêmio principal.
Lady Bird - A Hora de Voar (Lady Bird)
Lady Bird nos conta justamente sobre a transição de uma jovem que se autointitula Lady Bird e que está no período de transição entre a adolescência e a vida adulta e tem que lidar com suas indecisões ao passar por essa fase.
Lendo assim, parece uma história simples que já foi vista em várias obras, mas aqui, a diretora Greta Gerwig traz outro tipo de visão para esse gênero tão batido, fugindo dos estereótipos e trazendo personagens bem mais humanos, possibilitando o espectador a se identificar com todos os conflitos internos e externos da protagonista, principalmente em sua relação com a mãe e seus companheiros. Outro ponto que faz o filme funcionar é o grande trabalho de atuação da Saoirse Ronan, que convence em todos os momentos do filme que aqueles dramas são reais, trazendo camadas a sua personagem. O filme corre por fora, mas dificilmente leva esse Oscar, mas vale a lembrança, pois é o único filme dirigido por uma mulher aqui, que inclusive também está na categoria de melhor direção.
Trama Fantasma (Phantom Thread)
O filme nos leva a década de 50. Reynolds Woodcock é um renomado e detalhista estilista que trabalha ao lado da irmã, criando vestidos para as realezas britânicas. Ele toma de inspiração para suas peças as mulheres que passam por sua vida, mas quando ele conhece Alma, e ela vira sua musa e companheira, ela começa a contestar a forma de vida de Reynolds, os colocando em um embate de fortes personalidades.
Paul Thomas Anderson é um exímio contador de histórias e conhecido pela profundidade de seus personagens, e aqui não é diferente. Vemos dois personagens que são completamente opostos se aproximando e criando um relacionamento, e a cada diálogo entre os dois isso vai se tornando ainda mais intenso. E isso se deve as ótimas atuações também, tanto da Vicky Krieps e especialmente do Daniel Day-Lewis, E como é triste saber que não veremos ele atuar novamente. E ele nem precisa de muito pra demonstrar seu talento aqui, é uma atuação carregada nas sutilezas. O filme também dá um show na direção de arte, principalmente pelos figurinos lindíssimos. Na categoria principal o filme não tem muitas chances, mas a indicação certamente foi merecida.
Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name)
Me Chame Pelo Seu Nome acompanha um romance de verão daqueles mais verdadeiros que já vimos no cinema. Oliver é um acadêmico que vai passar um tempo na Itália para ajudar nas pesquisas de seu professor, até que começa a criar laços com o filho dele, Elio, e os dois começam uma jornada de descobertas juntos.
O grande trunfo desse filme é a naturalidade de como o diretor Luca Guadagnino trabalhar aqui. Assim como vemos em Lady Bird, Elio aqui é um personagem cheio de dúvidas, e aos poucos a gente vai conseguindo desvendá-lo. O Thimothee Chalamet consegue transpassar isso de forma tão bem feita que nem parece que ele está atuando, mas sim vivendo aquilo. Mas não pensem que este filme é um romance convencional, ele é muito mais um filme sobre descobertas e como elas podem afetar a vida de alguém. Além disso, temos um dos discursos mais lindos já vistos no cinema sobre amor, sentimentos e sexualidade. Ótimo filme, e é o grande favorito a levar o Oscar de roteiro adaptado, já que a concorrência no prêmio principal é grande.
Corra! (Get Out)
Chris é um jovem negro que vai conhecer os pais da sua namorada branca, até que ele percebe que tem algo estranho com o comportamento excessivamente amoroso da família dela, até que ele descobre que essa família esconde algo bem mais perturbador.
Esse é o tipo de filme que quanto menos você souber sobre ele, melhor vai ser a sua experiência. O diretor Jordan Peele opta por abordar o racismo aqui de uma forma não convencional, que é aquele quando a pessoa faz um esforço para não dizer algo racista, mas acaba sendo. Além disso, é legal demais ver um filme de gênero concorrer a melhor filme no Oscar. O roteiro aqui é excepcional, cheio de reviravoltas bastante tensas, e a atuação do Daniel Kaluuya é brilhante. É uma obra que, por ser diferente do convencional, pode surpreender em algumas categorias.
O Destino de uma Nação (Darkest Hour)
Winston Churchill está perto de assumir o cargo de Primeiro Ministro da Grã-Bretanha, e paralelamente a isso, precisa tomar uma difícil decisão sobre assinar um acordo de paz com a Alemanha Nazista ou combatê-los até última instância.
Este é o filme do Gary Oldman, ele incorpora o próprio Winston Churchill aqui, não só na aparência com o auxílio da espetacular maquiagem, mas por inteiro. Desde o poder de seus discursos até os seus momentos mais íntimos. Dificilmente ele perde esse Oscar de melhor ator. Tecnicamente o filme tem uma fotografia linda, o diretor Joe Wright deixou Churchill a todo momento encurralado pelos enquadramentos, fazendo alusão ao momento em que ele passava. Deve ganhar melhor ator e maquiagem, o que vier além disso é lucro.
Dunkirk
O filme aborda a conhecida Operação Dínamo, que conseguiu resgatar mais de 330 mil homens da cidade de Dunquerque no período da Segunda Guerra Mundial.
Christopher Nolan trouxe um filme com um roteiro problemático, colocando a cronologia do filme desregulada e confusa, e tudo isso afetou no desenvolvimento dos personagens do filme. Porém, tecnicamente o filme compensa todos esses problemas. É angustiosamente sufocante, com uma das melhores mixagens de som já feitas no cinema, uma trilha sonora de arrepiar e uma fotografia densa e cinzenta com planos dificílimos de serem filmados. Por isso mesmo, Dunkirk é favorito em vários prêmios técnicos, mas a menção já está de bom tamanho na categoria principal.
The Post - A Guerra Secreta (The Post)
Katharine Grahaam e Ben Bradlee são editores do Washington Post e conseguem acesso a documentos ultrassecretos que abrangeram quatro presidências dos Estados Unidos, e vão arriscar suas carreiras e liberdades e travar uma luta contra o governo pela exposição destes segredos.
É interessante ver o Steven Spielberg conduzindo este tipo de história, aqui ele utiliza vários elementos manipulativos de câmera para fazer jogos com o espectador e conduz um filme inteiro a base de diálogos, e mesmo eles sendo ótimos, o problema aqui é que o filme não consegue transmitir o peso necessário de todas as situações, e em filmes com muitos diálogos isso acaba sendo crucial. O que acabou deixando o filme um pouco morno. Seu principal trunfo aqui são as atuações, com um elenco de peso com Meryl Streep, Tom Hanks, Bob Odenkirk, Sarah Paulson, Matthew Rhys e outros. Acaba sendo um filme que cumpre bem o seu papel, mas na minha opinião o mais fraco dentre os indicados.
